Impunidade Ambiental
(Jornal O Dia 19/1/2008)


Não adianta amar a natureza e sofrer com sua devastação. Há que protegê-la das agressões cotidianas. Uma defesa consistente tem várias dimensões: educação ambiental, fiscalização, demarcação dos parques, repressão aos crimes ambientais, punição dos autores. As dificuldades são imensas: poucos fiscais e recursos para cuidar das reservas, corrupção, dificuldades da Justiça em condenar, devido à falta de provas; falta de coordenação entre os órgãos ambientais e os da fiscalização, individualismo – cada um se queixa da poluição dos outros, e justifica a sua.

Em 2007, atuamos nestas áreas: criamos a Superintendência de Educação Ambiental, com cursos na Uerj para professores, visitas dos alunos às reservas, rádios comunitárias ambientais, produção de textos, vídeos, de centros de reciclagem. Criamos a Câmara de Compensação Ambiental, com universidades, fundações e prefeituras, garantindo recursos para a demarcação dos parques. Começamos por Ilha Grande, Três Picos e Tiririca. Criamos a Cicca – Coordenação Integrada de Combate aos Crimes Ambientais, reunindo o Batalhão Florestal e do Meio Ambiente, o IEF, a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, o Ibama, a Feema, o GAM da PM.

Os resultados foram expressivos: oito operações de combate à pesca predatória, destruição de fornos ilegais de carvão, apreensão de animais e de balões, prisões de criminosos ambientais; operações contra ocupações ilegais em Arraial do Cabo e no Parque da Pedra Branca. A formação da perícia ambiental no Instituto Carlos Éboli propiciou a produção de laudos e provas. Mas sem a participação de todos nós, a ecologia continuará ameaçada. Bom ano verde, com consciência planetária.

Carlos Minc deputado estadual,no exercício de Secretário do Ambiente do Rio de Janeiro